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Julho: mês de conscientização sobre os miomas uterinos

Julho é um mês dedicado à conscientização sobre os miomas uterinos, uma das doenças ginecológicas mais frequentes entre as mulheres em idade reprodutiva. Apesar de sua alta prevalência, o tema ainda é cercado por desinformação, diagnósticos tardios e pela falsa ideia de que os sintomas fazem parte da “normalidade” do ciclo menstrual.

E é exatamente esse o ponto a desfazer: comum não é sinônimo de normal. Menstruar muito, trocar absorvente a cada poucas horas ou conviver com cólica que limita a rotina é comum entre as mulheres — mas não é normal, e pode indicar que um mioma está interferindo no útero.

Muitas mulheres convivem durante anos com sangramentos intensos, cólicas incapacitantes, dor pélvica, aumento do volume abdominal e dificuldade para engravidar sem imaginar que esses sintomas podem estar relacionados aos miomas. Em alguns casos, a doença permanece silenciosa e só é descoberta em exames de rotina — o que reforça a importância do acompanhamento ginecológico periódico.

O que são os miomas uterinos?

Os miomas uterinos, também chamados de leiomiomas, são tumores benignos formados pelo crescimento das células musculares do útero. Diferentemente do que muitas mulheres imaginam ao receber o diagnóstico, eles não representam câncer e, na grande maioria dos casos, também não evoluem para um tumor maligno.

Seu desenvolvimento está relacionado principalmente à influência hormonal, especialmente do estrogênio e da progesterona, além de fatores genéticos e moleculares ainda em estudo. Os miomas podem surgir em diferentes regiões do útero, variar de tamanho e número e apresentar comportamentos distintos. Essa diversidade explica por que não existe um tratamento único para todas as pacientes.

Quais são os principais tipos de miomas?

Intramurais. Localizados na parede muscular do útero, são o tipo mais frequente. Dependendo do tamanho, podem provocar aumento do fluxo menstrual, cólicas intensas e sensação de pressão na pelve.

Submucosos. Desenvolvem-se voltados para a cavidade uterina. Embora muitas vezes menores, costumam estar associados a sangramentos intensos, anemia, infertilidade e abortamentos de repetição.

Subserosos. Localizam-se na parte externa do útero. Nem sempre alteram o fluxo menstrual, mas podem crescer bastante e comprimir órgãos vizinhos.

Pediculados. Ligados ao útero por uma haste (pedículo), podem surgir interna ou externamente. Em alguns casos, sofrem torção, provocando dor intensa e necessidade de tratamento de urgência.

Nem todo mioma provoca sintomas!

Muitas pacientes acreditam que, por terem miomas, inevitavelmente sentirão dor ou precisarão operar. Entretanto, uma parcela significativa dos casos é completamente assintomática. Quando os sintomas aparecem, dependem muito mais da localização e do comportamento do mioma do que do seu tamanho isoladamente. Entre os mais frequentes estão:

  • sangramento menstrual intenso e prolongado;
  • cólicas progressivamente mais intensas;
  • dor pélvica e sensação de peso no baixo ventre;
  • aumento do volume abdominal;
  • necessidade frequente de urinar e constipação por compressão;
  • dor durante as relações sexuais, em alguns casos;
  • dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais.

O impacto dos sangramentos na saúde

Um dos maiores problemas provocados pelos miomas é o sangramento uterino anormal. Muitas mulheres passam anos acreditando que menstruar por oito ou dez dias, trocar absorventes a cada poucas horas ou eliminar grandes coágulos faz parte do funcionamento normal do organismo. Na realidade, esse padrão pode indicar que o mioma está interferindo diretamente no útero.

Com o tempo, a perda excessiva de sangue favorece a anemia por deficiência de ferro, trazendo fadiga persistente, redução da capacidade física, dificuldade de concentração e piora da qualidade de vida. Em casos mais graves, pode haver necessidade de reposição de ferro intravenosa e até transfusão.

Mioma também pode interferir na fertilidade?

Sim, mas isso não significa que toda mulher com mioma terá dificuldade para engravidar. A influência depende principalmente da localização. Os miomas submucosos, por exemplo, podem deformar a cavidade uterina, dificultar a implantação do embrião e aumentar o risco de abortamento. Já alguns miomas intramurais muito volumosos podem alterar a contratilidade do útero ou comprometer a irrigação do endométrio.

Por outro lado, diversos miomas pequenos ou externos não interferem na fertilidade. É justamente por isso que a avaliação deve ser individualizada, principalmente quando existe desejo reprodutivo.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento é individualizado. Em alguns casos, medicamentos hormonais ou não hormonais ajudam a controlar sangramentos e sintomas. A cirurgia é seletiva — não é o primeiro passo para toda paciente, mas sim uma indicação criteriosa.

Quando indicada, a miomectomia remove apenas os miomas e preserva o útero, sendo a escolha preferencial para quem deseja manter a fertilidade. Pode ser feita por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta, conforme o tipo e a localização das lesões. A histerectomia (retirada do útero) fica reservada a situações específicas, quando não há desejo reprodutivo e os sintomas são intensos.

Um ponto decisivo e pouco comentado: a via minimamente invasiva depende da complexidade do caso e, sobretudo, da experiência do cirurgião. Miomas volumosos, múltiplos ou em localizações difíceis exigem domínio técnico para que o útero seja preservado com segurança. A tecnologia amplia a precisão — mas é a vivência cirúrgica que define o resultado.

O impacto emocional dos miomas

Os miomas não afetam apenas o útero. Sangramentos constantes, limitações sociais, medo da infertilidade, alterações da imagem corporal pelo aumento abdominal e a preocupação com uma possível cirurgia podem gerar ansiedade, insegurança e sofrimento emocional. Muitas mulheres deixam de praticar exercícios, viajar ou manter uma vida sexual satisfatória. Por isso, o tratamento deve considerar não apenas os exames, mas o impacto real da doença na vida da paciente.

Julho é um convite ao diagnóstico precoce!

A campanha de conscientização existe para lembrar que sentir dor intensa ou apresentar sangramento excessivo não deve ser encarado como algo “normal”. Quanto mais cedo os miomas forem identificados, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos personalizados, preservar a fertilidade quando desejado e evitar complicações como anemia grave, crescimento progressivo das lesões e cirurgias mais complexas. Informação de qualidade também é uma forma de cuidado.

Sangramento intenso e cólica que limita não são normais Se a sua menstruação é longa, intensa ou vem acompanhada de coágulos, cólicas fortes ou aumento do abdômen, vale investigar. Uma avaliação individualizada define se o caso é clínico ou cirúrgico — e, quando há indicação, qual a técnica que preserva o seu útero e a sua fertilidade. Agende sua avaliação com o Dr. Pedro Reis pelo WhatsApp com a Márcia: (61) 99370-8068

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